sexta-feira, janeiro 16, 2015



Elas vivem para o namorado


O escritor mineiro Paulo Mendes Campos (1922-1991) demonstrou compreender muito bem a alma feminina ao publicar a crônica Rondó de Mulher Só. Nela, ele diz que a pergunta "O que fazer agora da tua liberdade?" cabe numa conversa com um homem que acaba de regressar à vida de solteiro, mas não faz muito sentido se dirigida a uma mulher recém-saída de um relacionamento. Assumindo uma voz feminina, Mendes Campos escreve: "A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor?". O autor resumiu nessa frase uma das principais vocações femininas - a de amar.

Alguns especialistas defendem essa característica como essencialmente biológica, outros como cultural, e há ainda outros que acreditam que ela é as duas coisas ao mesmo tempo. Seja como for, a verdade é que as mulheres, historicamente, desde muito pequenininhas foram alimentadas à base de contos de fadas, educadas para procurar seu príncipe e, depois de encontrá-lo, viver felizes para sempre, com ele. Algumas, mesmo em pleno século 21, levam isso tão a sério que, ao se apaixonarem, abrem mão de viver a própria vida em nome do parceiro.


Na maior parte das vezes, não dá nada certo despejar sobre uma única pessoa os próprios pensamentos, a TPM, as tristezas e alegrias, enfim, tudo o que compõe o dia-a-dia. O receptor de tanta informação se sente carregando um peso. Os amigos estão aí, entre outras coisas, para que a gente tenha com quem dividir o que se passa na nossa vida. Com o tempo, a garota que vive em função do namorado vai se tornando desinteressante para ele não só porque se transforma em uma pessoa absorvente e dependente, mas também porque não tem boas histórias para contar - afinal, tudo o que ela vive é ao lado dele. É o caso, por exemplo, da menina que, todo fim de semana, em vez de ir ao cinema quando o namorado vai jogar futebol, prefere ficar na arquibancada da partida.

Dosar o afeto muitas vezes é algo que vem com o tempo, exige aprendizado. Só vai saber ser feliz no amor quem se disciplinar em manter o equilíbrio das suas emoções.



Porém existe o amor patológico, ou dependência do parceiro amoroso, que é semelhante ao vício em drogas. Quem sofre disso se fecha e não sente mais vontade de falar com ninguém, só com o namorado. Longe dele, a pessoa está sempre infeliz. Grupos como o Mulheres que Amam Demais Anônimas (Mada) oferecem terapia para tratar do problema. Mais informações: www.grupomada.com.br.


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